16/01/2009

Atitude

Acorrentados a uma situação

por Luiz Carlos Bueno dos Santos

Acabrunhados, encolhidos e reduzidos a uma simples gravura distorcida do que deveriam ser. Dominados pela culpa, pressionados pelas dificuldades, envergonhados pela situação em que vivem. Sufocados pelas necessidades, pelas exigências e imposições da sociedade, pela pressão das suas famílias e das pessoas mais próximas. Dentro do peito uma enorme amargura e no espírito um pedido de socorro que grita sem resposta. Uma eterna espera pelo auxilio que não vem.

Agarrando-se a qualquer resquício de esperança, esperam por um milagre, por uma mudança. Perdidos e sem saber qual a direção a seguir, têm a percepção que é inútil e desgastante andar a esmo. A única certeza que possuem é que uma caminhada sem propósito não trará a solução que aguardam e nenhuma paz de espírito para aplacar o sofrimento que enfrentam. E justamente por pensarem desta maneira, acabam acometidos pelo marasmo e pela estagnação.

Convivem diariamente com a inquietação e o desconforto, não possuem nenhuma perspectiva e não se permitem mais sonhar. A realidade é sua principal companheira e sua implacável prisão.

O peso é enorme, mas suportável. A corrente que os aprisiona é folgada, dando a falsa impressão de liberdade. Uma simples ilusão inconsciente de uma alma atormentada em busca de conforto e tranqüilidade.

A situação em que vivem rouba as suas identidades e suprime todas as certezas que restam, impedindo que vislumbrem a pessoa maravilhosa escondida dentro delas.

Não sabem quem realmente são, não entendem como se transformaram no que são hoje e preferem nem imaginar no que se transformarão no futuro. Não se permitem os questionamentos, principalmente por medo das respostas.

Vivem durante anos situações que conduzem os seus destinos e as suas vidas, confundindo as suas percepções e impossibilitando que consigam responder a uma pergunta muito simples, mas muito importante... “quem eu sou?” Esta situação é um imenso ultraje, uma afronta contra a dignidade e a liberdade destas pessoas. Sem o conhecimento de quem se é, torna-se muito difícil fazer escolhas.

O mais extraordinário é que diante deste quadro, absurdo e angustiante, encontra-se a maioria das pessoas que conhecemos. Guardadas as devidas proporções, algumas mais outras menos, estão os nossos amigos, vizinhos, parentes, colegas e pessoas próximas.

Quando analisamos a situação, entendemos que o problema não esta na falta da capacidade em reconhecer esta infeliz realidade, mas sim na força invisível que impede que possamos nos aproximar destas pessoas para podermos fornecer o auxílio que tanto precisam e que tanto anseiam.

Diante da impotência destas pessoas e do bloqueio em que se encontram, presenciamos a criação de um escudo praticamente inexpugnável, formado pela ignorância nos seus potenciais e das suas capacidades, pelas incertezas, pelas dúvidas e pela situação em que estão imersas e que estão habituadas. Situações estas que geram a incredulidade e a desconfiança de todos os que se aproximam com soluções.

Vencer esta barreira é o primeiro passo para levarmos às pessoas o auxílio que precisam e que podemos oferecer. Possibilitar a oportunidade que temos, seja de trabalho ou de uma vida mais digna, podendo propiciar a estas pessoas um futuro melhor, a nossa missão.

Sabemos que dentro deles existe um enorme potencial, que com a capacidade que possuem e através de suas próprias habilidades, elas mesmas poderiam provocar as mudanças que tanto precisam. Não temos dúvidas do que são capazes de fazer, mas mesmo assim vemos que eles nada fazem. Muitas não têm nem mesmo a percepção do estado em que se encontram.

A vida pode e deve ser mais feliz e mais interessante, e todos têm o direito a esta felicidade e a prosperidade. Aos que conseguirem oferecer esta oportunidade, será destinado uma dupla recompensa, a satisfação do dever cumprido e a alegria de ver a gratidão e a felicidade nos olhos de quem auxiliamos.



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