17/02/2009

Profissional Cristão

O valor do cristão no mercado de trabalho

É dramática a situação de pessoas que se acotovelam nas salas de cursinhos preparatórios para concursos públicos que prometem salários atrativos e uma falsa sensação de estabilidade funcional.

Se falarmos da iniciativa privada, a situação é outra, não valem apenas o conhecimento de uma área específica ou domínio da informação, mas, também a atuação junto ao grupo de trabalho, a eficácia em lidar com conflitos internos, externos e grupais é levado em conta. No processo de seleção fatores como, valores culturais, pessoais e religiosos, estabilidade familiar, convivência e atuação em grupos de trabalho são avaliados, pois os riscos de inadaptação representam custos altos, seja pela indenização por conta da demissão, ou pelo novo treinamento do recém contratado.

Muitas empresas estão enxugando estruturas funcionais, preferindo contratos de prestação de serviços, lançando mão da contratação para execução de projetos específicos, e, nesta hora o empreendedorismo de si mesmo, e a excelência na prestação se serviço é o que realmente conta. Estas são as novas relações profissionais estabelecidas dentro de um mercado globalizado, porém, elas também podem nascer, crescer e desenvolver, ou simplesmente viver agonizando até a morte, porque na atual demanda de mercado, só sobreviverão os profissionais que sejam realmente resposta para um problema. Qualidade, eficiência e excelência é o que as empresas querem, o prestador de serviço deve sempre ir além daquilo que é pedido, o mercado irá querer contratar aqueles que superam suas expectativas e, que fazem muito mais do que é esperado, este profissional excelente está, e sempre estará em alta no mercado.

O sonho de um trabalho estável com altos salários, e com promessa de aposentadoria ficou, para trás, já aconteceu em outras décadas, hoje já nem tanto, porém a maioria das pessoas continuam sonhando hoje o sonho do ontem. O que há de real hoje, é que o mercado todos os dias aponta para milhares de oportunidades de trabalho, seja na prestação de serviços, que é um dos mercados cada vez mais crescente, a terceirização ou quarteirização da mão de obra, porém, nota-se que ainda está em falta homens e mulheres com ousadia e coragem para enfrentar o mercado. Pode-se perceber que o conforto de um emprego com “carteira assinada” e o, comodismo do salário garantido no final do mês, é ainda o sonho da maioria das pessoas, mesmo que se saiba que o mesmo virá a custa de frustração de potencial e, paralisia na criatividade e produtividade do trabalhador, como acontece muitas vezes no serviço público. Todos desconfiam das promessas milagrosas governamentais de gerar milhares de empregos, mas a maioria prefere acreditar que o maior empregador do país, o Governo, sabe o que está dizendo, e que o mesmo é quem irá garantir e dar estabilidade ao profissional.

Infelizmente, a busca por “um lugar ao sol” está na maioria das vezes ligada a empresas, organizações governamentais ou não, indústrias, carteira assinada, multinacionais, e esta busca está também dentro do coração e da mente da maioria do povo de Deus. Jamais podemos esquecer que o único que pode nos dar estabilidade é Jesus, e que só Ele é Senhor e, Nele é que está a nossa garantia, e por intermédio dEle, nós que somos filhos é quem devemos dar garantia a nossa nação, industria, empresas, organizações, e não o inverso. Assim cabe-nos um questionamento, afinal qual o papel do cristão dentro deste contexto sócio econômico?

Lembro-me da preleção de uma executiva de televisão e cinema dos EUA, chamada Déborah Bartled que em um seminário em Nassau nas Bahamas, disse:

- O que Steven Spilberg pode fazer, que você tendo o Espírito Santo de Deus, não pode fazer melhor?
- Ela dizia que muitos evangélicos se apresentavam para fazer algum programa de televisão e quando ela avaliava a preparação, equipamentos, e capacidade, encontrava na maioria um grande improviso, imaturidade gerencial, indisciplina, despreparo. O mercado de trabalho sempre estará aberto para pessoas que se dispõe a ser e fazer a diferença. Precisamos diferenciar o fato de ser a diferença, de ser o diferente, o estranho do grupo, muitos erram e até se afastam do propósito ensinado por Cristo de sermos a luz do mundo e o sal da terra (Mateus 5: 14,15) , quando tornam-se “os estranhos” do grupo, não se misturam deixando a nítida impressão, de ser melhor, especial, o dono da verdade, sendo quase intocável, criticam a todos e, estão sempre prontos para apontar comportamentos inadequados, e assim são considerados pelas organizações como pessoas críticas, antisociais, esquisitas mesmo.

Ser a diferença é o oposto de tudo isto, o não se misturar, é não participar de intrigas, fofocas, roubos seja de objetos e ou de tempo, como por ex.: ficar batendo papo na internet no horário de trabalho. Ser diferente, é ter sempre uma palavra de consolo, conforto e ajuda, para aquele colega, que tentou te passar a perna meses atrás, ser diferente é, nunca chegar atrasado, a não ser por motivo justo, é fazer além da sua obrigação, é ser feliz e educado sempre, independente das circunstâncias, esta é algumas das diferenças que Jesus espera dos seus filhos.

Ainda posso me lembrar do dia em que estava ministrando uma reunião para desempregados em nossa comunidade, quando ao final do encontro vindo em minha direção um senhor estendeu um envelope com listas de dezenas de oportunidades de trabalho para serem divulgadas.

Perguntei-lhe:

- O senhor é membro de nossa igreja?

Respondeu-me:

- Não, sou católico! É que o diretor da empresa me mandou aqui porque gostou muito das pessoas que foram encaminhadas daqui, e abriu novas oportunidades.

Então pensei comigo mesmo.

É, o povo de Deus está fazendo a diferença por lá mesmo!

Lamentavelmente nem sempre isto acontece. Não raro, encontramos queixumes de empregados e empregadores cristãos, quanto as dificuldades em trabalhar com cristãos que não dão bons testemunhos.

Mas, afinal o que Deus deseja que façamos para agradá-lo no campo profissional?

Primeiramente, acreditamos que é o não fazer distinção entre trabalho secular e sagrado.

Uma herança religiosa do passado, e que em nada dignifica ou inspira o desenvolvimento do cristão, mas sim cria em sua mente uma dicotomia, ou seja, existe dois registros mentais, onde a pessoa considera que existem umas ações que são consideradas sagradas e outras profanas. É comum no meio evangélico encontrar-mos pessoas infelizes com o seu emprego, por considerá-lo secular, destituído da graça divina, e que sonham em praticar a “obra” em tempo integral, porém, a maioria das pessoas se esquecem que o trabalho dito profano, pode ser exatamente o local que Deus quer utiliza-lo(a). Nota-se que o povo de Deus vivem com certos critérios e valores de segunda a sexta feira e quando chega-se ao sábado ou domingo veste-se uma roupa religiosa e vão a igreja viver e praticar a vontade de Deus.

Trata-se de um verdadeiro convite ao conflito e sofrimento psíquico, quando não espiritual. O ser humano é um ser total com corpo, alma e espírito que jamais podem ser desassociados, assim, tudo o que fizer e onde estiver, “faça tudo como para o Senhor.....” Segundo, honrar a Deus através da sua profissão.

Existem inúmeras demandas e atividades profissionais onde o cristão pode atuar, principalmente como um filho de Deus, guiado pelo Espírito Santo e recebendo inspiração divina, mas infelizmente boa parte dos cristãos estão sonhando em desfrutar do “Céu” e não quer transformar a terra e seus sistemas sociais. Em nossas palestras provocamos propositalmente os ouvintes cristãos a repensarem o seu papel social e comunitário, fazemos afirmações como esta:

- O Espírito Santo está aguardando voluntários para ensiná-lo a fórmula para cura da AIDS, da Malária, desenvolvimento de programas alimentares para população desnutrida, métodos de alfabetização e educação complementar, sistemas econômicos e financeiros para serem aplicados no mundo inteiro, tem alguém aqui que se candidate? E, olhando como se achasse impossível, que o Deus Todo Poderoso possa se interessar por atividades tão mundanas, a maioria fica em silêncio.

Mas, muitos não hesitariam em seguir viagem para algum país distante para falar do evangelho, mas recusam-se a desenvolver sua profissão como uma ferramenta de crescimento do Reino de Deus na terra em sua própria cidade.

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5:16)

A palavra boas obras neste texto no original em grego significa “obras excelentes” uma proposta de aplicação da doação e generosidade inspirada em Deus.

Terceiro, ter um padrão de excelência profissional que provoque um grande impacto no mundo.

O cristão tem a responsabilidade de organizar a sociedade, pois os fundamentos de sua fé, estão alicerçados no respeito e cooperação mútua, respeito e honra as autoridades, e auto superação baseada no padrão ensinado por Jesus Cristo, com amor ao próximo e a Deus, sabendo que haverá prestação de todas as ações boas e más. Na etimologia da palavra excelência encontramos bondade, é aquele caminhar além do que é pedido ou contratado, chamaremos do caminhar uma segunda milha, conforme Jesus nos ensinou:

“Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas”. ( Mateus 5: 41)

E, num processo de recusa em ser medíocre, egoísta, amargo, o verdadeiro cristão lança-se numa permanente auto superação, desconsiderando as suas limitações, mas amparando-se agora na ilimitada fonte de inspiração e sabedoria disponível em Deus.

Prof. José Campos: Escritor, Docente local do Instituto Haggai, Professor em Liderança Cristã e Relações Interpessoais, ex-Diretor de Reinserção Social no Governo de Minas Gerais.

Dra Carla S. Campos: Mestre em Teologia, Psicóloga Clínica, Escritora, Palestrante, Ex-Diretora da Federação Aquática Mineira. Ambos, membros da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte.

Fonte: empreendedoresdecristo.com

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